Leitura e livros


Durante a minha curta existência ouvi muitas pessoas falarem “não gosto de ler“. Isso sempre me chamou atenção mas obviamente, por questão de educação, não aprofundava uma discussão. O máximo que adentrei nessa questão foi apenas para perguntar o motivo e invariavelmente a resposta era “não tenho paciência“.

Não irei escrever sobre paciência, apesar de ser um ótimo assunto para novos textos. Irei escrever agora sobre o que a leitura e os livros significam para mim.

Durante a infância, sempre vi minha mãe lendo diversos livros, enquanto meu pai, apesar de médico com mais de uma especialidade, nunca foi muito adepto a leitura. Minha mãe sempre teve um livro de cabeceira e sempre que possível comprava um livro novo. Na década de 90 a internet para nós ainda estava surgindo e a leitura, pelo menos para nós, era feita por livros e revistas.

Minha mãe também mantinha assinatura de pelo menos uma revista, lembro de recebermos a VEJA em casa e achava engraçado que ela lia as matérias de trás para frente. Nunca entendi o motivo.

Sempre acreditei que somente poderia comprar novos livros quando já tivesse terminado de ler todos os disponíveis e, muitas vezes, agi assim. Deixei de comprar pois eu já tinha muitos livros para ler. Acredito que a maioria das pessoas também pensem assim. Entretanto, há alguns dias ouvi alguém dizer, em algum lugar, que devemos ter livros que ainda não lemos, que esses são os mais importantes. Ele falou que os livros devem estar disponíveis para os diferentes momentos das nossas vidas. Diante disso, fiz algumas pesquisas e mudei completamente de opinião sobre os meus livros e a minha biblioteca.

Ter muitos livros para ler (no futuro) é uma forma de viver. É como se disséssemos ao mundo que ainda temos muito para aprender ou conhecer, que somos carentes de conhecimento e que, apesar de muitos livros lidos, não sabemos quase nada.

Eu já tive a experiência de tentar ler um livro e naquele momento senti que aquele livro não era pra mim. Achava o livro cansativo, chato ou desinteressante (ou tudo isso ao mesmo tempo). Esse livro voltava para minha minúscula biblioteca e ficava ali esquecido, por meses ou anos. E, depois, esse livro por algum motivo ressaltava aos meus olhos e me despertava novamente o interesse em lê-lo, dessa vez, na maioria dos episódios, com êxito.

Antes de ouvir a fala daquela pessoa sobre os livros que temos em nossa biblioteca, não tinha parado para refletir sobre isso. É interessante pensar que eu acreditava que qualquer pessoa adulta é capaz de ler qualquer livro em qualquer momento de sua vida.

Pesquisei brevemente sobre esse tema na internet e achei a opinião do Nassim Nicholas Taleb, autor de A Lógica do Cisne Negro. Para ele, livros lidos são muito menos valiosos do que os livros ainda não lidos. Ele propõe, então, que uma biblioteca pessoal deve “conter tanto do que você não sabe quanto seus meios financeiros permitirem”.

Diante disso, já comecei uma nova assinatura de clube de livros (o que acho extremamente interessante). Já fui assinante da TAG livros (recomendo), Grow Livros (mais voltada ao empreendedorismo) e agora assinei o clube de livros da Pessôa Editora (estou aguardando o primeiro box). Para meus filhos, mantenho ativo a assinatura da Leiturinha, que eles adoram.


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